O SOM DE SUA VOZ
Jesus
viveu Sua vida na terra totalmente dependente
do Pai celestial. Nosso Salvador não fazia nada, e não dizia nada enquanto não consultasse o Pai na glória.
E Ele não realizou nenhum milagre excepto aqueles que o Pai O instruiu a fazer.
Ele declarou: "Falo como o Pai me
ensinou. E... (o Pai) não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe
agrada" (João 8:29-29).
Cristo deixa bem claro: Ele
era diariamente conduzido pelo Pai. E Sua prática de total dependência, sempre ouvindo a voz do Pai, fazia parte de Seu caminhar diário. Vemos
isso em uma cena do evangelho de João. Em um sábado, Jesus estava andando perto
do tanque de Betesda quando viu um homem paralítico deitado em um leito (João cap. 5). Cristo dirigindo-se para
o homem, lhe ordenou que pegasse a cama e andasse. Imediatamente o homem foi
curado. Ele saiu andando curado.
Os líderes judeus ficaram enfurecidos com isso. Em suas mentes,
Jesus havia violado o sábado curando aquele homem. Mas Cristo respondeu, “Eu
somente fiz o que Meu Pai me disse para fazer.” Ele explicou, “ Meu Pai
trabalha até agora, e eu trabalho também ... o Filho nada pode fazer de si
mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer,
o Filho também semelhantemente o faz. Porque o Pai ama ao Filho, e lhe mostra
tudo o que faz” (João 5:17-20).
Jesus declarou mui simplesmente: “ Meu Pai me ensinou tudo o que devo fazer”. Você pode perguntar: quando exatamente Deus mostrou a Cristo o
que fazer? Quando Jesus viu Deus fazendo milagres? Quando o Pai falou para
Jesus tudo o que devia dizer e fazer?
Será que tudo isso aconteceu na glória, antes de Cristo se
encarnar? Será que os dois sentaram-se juntos antes da criação e traçaram cada
dia da vida de Jesus? Será que o Pai falou ao Filho, “no segundo sábado do
sexto mês judaíco, você estará andando perto do poço de Betesda. Você
encontrará um homem paralítico. Ordene àquele homem que levante e ande” ?
Se tivesse sido assim, nenhum de nós poderia se identificar com
isso. Tal acordo não teria relevância para
nosso andar diário com o Senhor. Mesmo
assim, sabemos que Jesus veio para dar-nos um padrão para seguirmos. Afinal de
contas, Ele veio a terra para experimentar tudo que fazemos, sentindo todos os
nossos sentimentos, e sendo tocado com nossas dores e enfermidades. Em troca,
devemos viver como Ele viveu andar como Ele andou.
O fato é que Jesus, em Sua carne, tinha que contar com o trabalho interior diário da voz do Pai.
Ele tinha que ser dependente do Pai em todo o tempo, a fim de ouvir Sua voz Lhe dirigindo. De outra maneira, Cristo
simplesmente não poderia ter feito às coisas que fez. Jesus tinha de ouvir a voz do Pai a cada hora, a cada milagre, dia após
dia.
Como era Jesus capaz de ouvir
a calma e suave voz do Pai? A Bíblia
mostra que acontecia através da oração. Vez por outra, Jesus ia para um
lugar solitário para orar. Ele aprendeu
a ouvir a voz do Pai enquanto estava de joelhos. E o Pai era fiel para Lhe
mostrar tudo o que fazer e dizer.
Imagine Jesus encarando uma grande decisão, tal como a escolha
de Seus discípulos. Como o Senhor escolheu os doze dentro da vasta multidão que
O seguia? Tinha que ser uma decisão importante. Afinal de contas esses
discípulos formariam os pilares de Sua igreja neo-testamentária. Será que o Pai
Lhe deu os nomes dos doze enquanto Jesus estava ainda na glória? Se foi assim, então por que Jesus passou
uma noite inteira em oração antes de nomeá-los?
Lucas nos conta, “Retirou-se para o monte, a fim de orar,
e passou a noite orando a Deus” (Lucas 6:12). Na manhã seguinte,
Jesus chamou os doze. Como Ele os conhecia? O Pai os havia revelado a Ele na
noite anterior.
Além disso, na mesma noite, o Pai deu a Seu Filho as
bem-aventuranças, aqueles ditos do Sermão do Monte: “Bem-aventurados os pobres...
bem-aventurados os que choram... Não julgueis...” (veja Mateus 5-7). Jesus
tinha recebido tudo aquilo direto do coração do Pai.
